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A
Sociologia do Dinheiro, Razão e Sociedade
Contemporânea, de Nigel Dodd (Fundação
Getúlio Vargas - 280 págs.)
teoriza sobre a função e o
sentido da moeda na organização
da sociedade e dos sistemas econômicos
contemporâneos. O autor é sociólogo
e professor na Universidade de Liverpool. |
Sociologia
da moeda
___A
sociedade moderna tem sofrido constantemente
com crises monetárias e financeiras
que não mais se restringem ao âmbito
dos Estados nacionais, estendendo seus efeitos
a todos os países do mundo, de forma
cada vez mais instantânea e drástica.
As freqüentes falhas do mercado global
integrado continuam, ainda, sem explicação
convincente, denotando a fragilidade da
estrutura funcional e operacional do sistema,
não apenas para os cidadãos
comuns, mas também para os economistas
e para os formuladores de política
econômica.
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Segundo Nigel Dodd, autor do livro intitulado
A Sociologia do Dinheiro, existe uma relativa
ignorância de pensadores e cientistas
sociais quanto à natureza e à
lógica da moeda, sobretudo nos meios
acadêmicos e governamentais, onde
se encontram disseminadas definições
inexatas acerca das peculiaridades sociológicas
do dinheiro no mundo contemporâneo.
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Não se pode levar a termo com sucesso
um conjunto de medidas de política
monetária sem o devido conhecimento
do que venha a ser o dinheiro, ao mesmo
tempo que não se pode imaginar possuir
um conceito apropriado para dinheiro, se
os fundamentos analíticos empregados
para tal definição não
permitem nem mesmo distinguir exatamente
entre aquilo que e dinheiro e o que não
e dinheiro.
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Nesse sentido, a proposição
de Dodd em sua obra consiste na avaliação
critica do pensamento clássico e
contemporâneo sobre a moeda, procurando
elucidar seus atributos de caráter
social e filosófico, no que em geral
falharam os economistas, sem, no entanto,
perder de vista o enfoque material, como
tem sido típico dos sociólogos
que previamente se aventuraram neste tema.
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O autor tenta desmistificar as teorias puramente
materialistas da moeda, que apenas definem
um conjunto de peculiaridades físicas
para que um determinado objeto possa se
tornar dinheiro, mas também não
aceita os enfoques demasiado genéricos
e inconclusivos que acabam por desvincular
a moeda de todas as formas reais existentes
na economia. No primeiro caso, ficam esquecidas
as diferenças entre os modos de produção
sucedidos ao longo da história do
homem. Na segunda abordagem, o excesso de
rigor analítico acabaria permitindo
a perigosa conclusão, em ultima instância,
da inexistência do dinheiro, tal o
volume de condicionantes requeridos para
uma definição mais clara.
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O mesmo raciocínio se aplica ao conceito
de liquidez, que usualmente se refere a
capacidade de determinado ativo se tornar
dinheiro ou desempenhar a função
de dinheiro, dado não haver clareza
entre os economistas no que diz respeito
aos critérios de qualificação
e quantificação dos diversos
graus de liquidez dos ativos. A expressão
quase moeda tem sido de uso corrente entre
formuladores e executores de política
econômica, apesar de ninguém
se mostrar capaz de definir exatamente um
conceito precedente, qual seja a própria
moeda.
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Apesar do aparente ceticismo do autor quanto
à eficiência e a validade das
formulações básicas
da economia acerca do papel da moeda na
sociedade capitalista atua] e da pretensa
racionalidade maximizadora dos agentes econômicos,
ele não se limita apenas a um conjunto
de criticas no intuito de minar os fundamentos
teóricos vigentes, mas sim pretende
realizar uma série de questionamentos
que conduzem a um aperfeiçoamento
analítico do entendimento do dinheiro
e da própria sociedade. Longe de
pretender encerrar a discussão com
uma palavra final, o autor constrói
uma base metodológica e conceitual
que permite a retomada da questão
por um ângulo distinto, mais complexo,
bem verdade, porem mais coerente e pragmático,
sem deixar de apresentar a necessária
abstração e generalidade que
devem permear o estudo teórico.
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Não se deve pensar, contudo, que
a obra se perde em discussões epistemológicas
enfadonhas, de difícil compreensão,
dirigidas apenas a um público restrito
formado por um punhado de pesquisadores,
Ao contrário, o autor procura mesclar
a analise critica com a conclusão
propositiva, na primeira parte do livro,
preparando o leitor para a apresentação
dos resultados mais elaborados de uma nova
concepção que vai se formando
ao longo da segunda seção
do tratado.
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Mais especificamente, a característica
inovadora da abordagem de Dodd consiste
na tentativa de trabalhar com a idéia
de redes monetárias, identificando
primeiramente a diferenciação
entre sociedades de escambo e sociedades
monetárias, que modernamente constituem
as chamadas redes, igualmente distintas
das sociedades primitivas que utilizavam
formas incipientes de dinheiro.
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A estrutura social e cultural na qual se
insere o dinheiro encerra uma dimensão
fiduciária, de caráter vital
para o funcionamento ordenado das redes
monetárias onde a moeda circula,
bem como para o relacionamento global das
diversas redes integradas. Nesse contexto,
a incerteza dos agentes se confunde com
a falta de informação plena
das próprias autoridades monetárias,
e o modelo de gestão adotado deve
se configurar de modo a dirimir a assimetria
da informação, reduzindo os
níveis de incerteza, a fim de evitar
as crises do sistema, que ocorrem quando
se rompe a confiança do público
para com o dinheiro.
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Vale dizer que o trabalho de Dodd vem trazer
elementos consistentes para o entendimento
da sociedade moderna, assim como de suas
crises e duvidas. A validade do modelo financeiro
internacional se encontra ameaçada
justamente porque não consegue manter
o equilibro do sistema econômico,
nem para os países periféricos
e nem mesmo para as nações
mais ricas do mundo, pois ate a moeda americana,
padrão monetário global, sofre
panes especulativas decorrentes da incerteza
dominante nos mercados de todo o planeta,
que formam uma rede interconectada através
da qual circula livre uma moeda nacional
privilegiada, em vez de uma unidade neutra
de valor, controlada por autoridades mais
confiáveis e sólidas.
Rafael
Torino - Economista |