Nove meses
de crise e dificuldades de caixa
___A
análise do resultado da execução
orçamentária no primeiro semestre
de 1999 não deixa dúvidas quanto ao
fato de que o espaço para a redução
de despesas além dos limites já expostos
é muito pequeno, a não ser em relação
à divida pública. Isso exigirá
uma repactuação com a União,
o que parece bastante difícil, embora não
impossível, dado os últimos movimentos
dos governadores. Nesse quadro, a alternativa viável
ao Estado é aumentar a sua arrecadação
própria, o que significa potencializar a
arrecadação do ICMS. Para que isso
ocorra, faz-se necessária uma profunda revisão
na forma de condução da política
tributária e atuação do Fisco,
na estrutura legal do ICMS e uma auditoria nos benefícios
fiscais. Essas mudanças, até o momento,
foram apenas timidamente esboçadas, apesar
de apontarem para um caminho correto. Precisam ser
ampliadas tanto no seu escopo, quanto no ritmo da
sua concretização.
___A análise da execução
orçamentária do Estado, nos primeiros
nove meses de 1999, confirma o quadro de grandes
dificuldades financeiras que há muito já
estamos apontando. O déficit orçamentário
de R$ 453,8 milhões, registrado no período,
expressa esse quadro. Não em função
da sua dimensão, já que é bem
menor do que nos períodos anteriores, mas
devido ao esgotamento do padrão de financiamento
do déficit até aqui empregado pelo
Estado. O Rio Grande do Sul, no período recente,
financiou os seus reiterados déficits anuais
mediante a obtenção de novos empréstimos
ou através do processo de privatização.
Os termos do contrato de renegociação
da divida com a União, firmado ao final de
1998, impedem a primeira alternativa, e o programa
político do atual governo descarta a segunda.
Em relação às privatizações,
cabe salientar que, mesmo mudando de idéia
e resolvendo realizá-las, o governo conseguirá
apenas um alívio por alguns meses, uma vez
que os principais ativos do Estado já foram
vendidos.
Passados nove meses,
o Estado continua
sem resolver a crise financeira
___Ao contrário
do que no período anterior, onde o déficit
foi causado pelo aumento das despesas operacionais
(pessoal; manutenção e investimento),
no exercício de 1999 é causado exclusivamente
pelo serviço da dívida. Nos primeiros
nove meses de 1999, o desembolso do Estado a este
título somou R$ 613,6 milhões contra
R$ 230,3 no mesmo periodo do ano passado. A obtenção
de novos empréstimos que poderia, em termos
de repercussão no caixa, diminuir o impacto
do pagamento do serviço da dívida,
atingiu apenas R$ 105 milhões, resultando
num desembolso líquido de caixa de R$ 508,6
milhões (ver Serviço Líquido
da Dívida no quadro), contra apenas R$ 136,4
no mesmo período de 1998.
___Os itens de despesa operacional foram
drasticamente contidos. As despesas de capital foram
reduzidas em 86% somando apenas R$ 145,3 milhões
nos nove primeiros meses de 1999, sendo que esse
valor, na sua maior parte, foi financiado por operações
de crédito que somaram R$ 105 milhões.
Os gastos com a manutenção da estrutura
administrativa foram reduzidos em 18%, em termos
nominais, o que significa uma economia real superior
a 300%, considerando que alguns itens do custo de
manutenção tiveram aumentos expressivos
neste período, como por exemplo os combustíveis.
A Folha de Pagamento, apesar de representar um comprometimento
de 85,6% da Receita Corrente Liquida, apresentou
no período crescimento nominal de apenas
3,7%, o que significa que houve redução
no valor. Essas informações demonstram
que as providências que o governo poderia
tomar para reduzir despesas, em grande parte, já
foram adotadas, sendo muito pequeno o espaço
ainda existente.
___ Com relação
à receita, os valores têm se mantido
muito próximos dos realizados no ano passado.
O ICMS que é a principal fonte de financiamento
do Estado ficou, no acumulado até outubro,
0,87% inferior ao ano passado em termos reais, devendo
fechar o exercício de 1999 no mesmo patamar
ou um pouco acima do que a arrecadação
verificada em 1998.
___ Algumas medidas
administrativas permitiram um pequeno aumento na
cobrança administrativa, o que, além
de diminuir o estoque da divida (ver tabela), permitiu
um incremento de cerca de R$ 3 milhões/mês
a partir de setembro.
Execução orçamentária
do Estado do RS
Valores correntes (em R$ mil)