A Secretaria da Fazenda e o interesse público
Carlos Alberto Pacheco de Campos
Presidente do Sindaf

___Este número da revista Finanças em Linha sai em um momento particularmente grave para o funcionalismo público e para a categoria dos auditores de finanças. A falta de sensibilidade e de compromisso público do principal dirigente da Secretaria da Fazenda do Estado e o exacerbado corporativismo da categoria dos fiscais de tributos desvirtuaram totalmente os objetivos da reestruturação funcional desenvolvida no último período, naquele organismo do Estado. Contra todo o esforço modernizador desenvolvido pelo governo, que pretendia, com a importante reforma da Secretaria da Fazenda, aproximar a administração fazendária da comunidade, o atual secretário submete-se às pressões corporativistas dos que querem apenas mais espaço na estrutura burocrática do Estado.

___O resultado desta incapacidade de negociar e de pensar os problemas da Fazenda a partir da ótica do interesse público se faz notar através das graves dificuldades das finanças do Estado: queda na arrecadação de impostos ocasionada pela deliberada queda de produtividade fiscal, dificuldades para propor soluções aceitáveis para os salários do funcionalismo e animosidades de todo gênero. É nesta conjuntura de dificuldades que a categoria precisa se preparar para enfrentar o processo de reforma administrativa que se realiza em âmbito federal e estadual. Com a aprovação, em primeiro turno, do projeto de Reforma Administrativa no Congresso Nacional, abre-se o caminho para que os governos construam o equilíbrio nas contas a partir da demissão de servidores. Solução fácil, mas incapaz de criar um caminho de modernização e qualificação do serviço público. Neste número, vamos tratar de analisar as reformas que andam por aí. Que esta leitura sirva para reforçar em nós a idéia de que a nossa razão está no público que servimos.